"ensaio
sem culpa"
Se alguém gosta de gramática, uma
certa clausura própria das formas, não é coisa comum. Será preciso pensar no
que isso significa. Somos, a princípio, contra todo controle, mas, por outro
lado, seremos entendidos sem o uso das mais básicas normas lingüísticas? É
certo que nem o grande Wittgenstein, com as “cinco maçãs vermelhas”, deveria
pensar que sim.
Entretanto, podemos nos valer da
querida e muito amiga liberdade poética, lembram-se? a qual, para o bem de
todos e felicidade geral, migrou dos versos às mais diversas forma de
linguagem, incluindo aí as artes plásticas e outras tantas.
Há, por exemplo, sinais de rebelião
também fora do campo livre das artes, pode não ser o caso aqui, mas lembram-se
da famosa cartilha do MEC? que causou polêmica quanto ao ensino alijado da
norma culta... alí, pareceu a muitos ser um abuso de liberdade, porque a língua
é um bem cultural importante demais pra ser lesado, em exagero. Apareceu na TV
e o povo chiou pra valer. Mas aqui é outro negócio.
Então, há sempre um limite? Isso é
complicado – por um lado nada parece ser absoluto, e por outro, há balizas em
todas as vias, da mente e da vida mesma. Nós mesmos inventamos as travas e nos
tornamos reféns.
Esse vão discurso? Pode tornar claro
que podemos ser autores; que agora o mundo se abriu de fato, e todos podem e
devem escrever, pintar, criar, sem receio – do olhar do professor, de português
principalmente.
Nesse ponto largamos de mão uma
resistência inicial, e adotamos o quase tudo é permitido, mesmo com Deus - que
parece estar topando essa nova humanidade, pra ver como é que fica. Ele deve
ser um artista, claro, dado a uma experimentação... e como não seria? tudo aqui
no planeta é contingente, nada é definitivo.
Assim, vamos à web, aos blogs grátis,
e sem inibição, deixar rolar... escrever e pôr fotos e vídeos – loucura? E daí?
Vai ler quem achar que pode superar essas e outras que virão. Então, Deus salve
a América, do Sul, e vamos pra frente... do computador.
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